Resumo
O objetivo geral desta tese foi avaliar o efeito do extrato bruto de microcistina sobre a memória e sua capacidade de geração de estresse oxidativo em hipocampo de ratos. Microcistinas, heptapeptídeos monocíclicos, produzidas por cianobactérias são potentes hepato e neurotoxinas, sua toxicidade resulta da inibição de proteínas fosfatases e novas evidências indicam que são potentes geradores de estresse oxidativo.
Ratos machos Wistar foram usados para testar os efeitos do extrato bruto de microcistina (Mic; 0.01 e 20 µg/L) e ácido ocadáico purificado (AO; 0.01 e 10 µg/L) sobre as alterações da memória de curta e de longa duração avaliados na tarefa de esquiva inibitória, o aprendizado espacial no labirinto radial de oito braços e dano oxidativo investigado nas células piramidais da região CA1 do hipocampo dos ratos treinados e testados no labirinto radial de oito braços.
A infusão das toxinas antes do treino da tarefa de esquiva inibitória mostrou efeito amnésico sobre a fase de aquisição da STM com o AO 0,01, e efeito facilitatório para LTM com o tratamento de Mic 20,0 e AO em ambas as doses. A infusão das toxinas 15 minutos antes do teste demonstram um efeito amnésico da Mic; 0.01 e 20 µg/L sobre a evocação da memória. O aprendizado espacial foi prejudicado pelo tratamento crônico (8 dias) de Mic e AO nas menores doses.
Paralelo a esses efeitos. Evidências de dano oxidativo para os ratos submetidos ao tratamento crônico com microcistina e ácido ocadaico, foi verificado pelo aumento nos níveis de peróxidos lipídicos e dano de DNA, em ambas as doses de Mic e AO. Um pequeno aumento na atividade da glutationa-S-transferase foi verificado com a menor dose de Mic indicando a capacidade para as reações de fase II, conjugação das toxinas e/ou produtos oxidativos com glutationa.
Este estudo demonstrou que a evocação da memória na tarefa de esquiva inibitória e o aprendizado espacial, analisado através da tarefa do labirinto radial de oito braços foram prejudicados pela ação da microcistina, bem como pelos mecanismos de toxicidade evidenciados através da geração de estresse oxidativo. Os dados relatados neste trabalho são de grande importância ambiental, uma vez que as microcistinas são transportadas através de transportadores de ânions orgânicos OATP, os quais são expressos em várias estruturas cerebrais mediando o transporte de microcistina.